Fabio Sabag, criador do programa Teatrinho Trol

Entrevista realizada por Izaías Correia

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Fadlo Sabag, mais conhecido como Fabio Sabag, nasceu em 19 de novembro de 1931.

Até 1999, quando completou 50 anos de atividades profissional, teve mais de 7.000 participações como ator de teatro, cinema, televisão e produtor de teatro. Chegou a ter quatro companias teatrais no Rio de Janeiro. Como ator fez inúmeras novelas, entre elas “O Casarão”, “Brega & Chique”, “Cambalacho”, “Elas por Elas”, “Que Rei Sou Eu?” e “Kubanacan”. Seu último trabalho como ator foi no filme “Maria, Mãe do Filho de Deus” onde ele interpreta o personagem Anás. Como diretor Fabio trabalhou nas telenovelas “A Cabana do Pai Tomás”, “O Sexo dos Anjos”, “Rainha da Sucata”, “Vamp”, entre outras.

Seu grande destaque na direção foi com o programa infantil “Teatrinho Trol”, exibido pela Tv Tupi entre as década de 1950 e 1960. O site InfanTv teve o prazer de conversar com Fabio Sabag que nos contou uma pouco mais sobre sua carreira e sobre o “Teatrinho Trol”.


“A criança merece um espetáculo melhor e
muito mais bem cuidado do que os adultos.”

Fábio Sabag

INFANTV – Você ainda cursou três anos de medicina. Como acabou enveredando pela carreira artística?
FABIO SABAG – Desde menino, 4 anos, gostava de teatro, circo. Meu avô me levava, apesar de ser proibido. Eu entrava escondido. Fui até comparsa (figurante) em óperas em São Paulo. Desde menino tive paixão pela vida artística, e fui muito orientado por meu avô, que não era artista, mas apaixonado por arte.

Fabio Sabag e Nair Amorim (Dom Trolino)

ITV – E como você chegou a Tv Tupi?
FS – Foi uma trajetória dura, sofrida, mas alegre, cheia de esperança.  Passei por grupos amadores, criei espetáculos escolares, fui figurante de ópera, de circo, participei de programas de rádio, como concorrente de um programa chamado “Quem sabe mais o homem ou a mulher”, na Rádio Cultura. Depois em outros programas da Rádio Tupi de São Paulo, Difusora, Record, até que fui para a Cultura como produtor. Fiz teatro e televisão em São Paulo, trabalhei em Companhias Teatrais etc. até vir para o Rio onde entrei na turma de Sergio Brito, para realizar um grande teatro semanal pela televisão, que iria rivalizar com Festa do 4º aniversário do Teatrinho Trolos grandes teatros da Televisão Tupi.

Festa do 4º aniversário do Teatrinho Trol

ITV – Quando você chegou a TV Tupi o Teleteatro já era um grande sucesso na emissora. Você sentiu que um programa com aquele formato, dirigido ao público infantil, tinha seus riscos ou já esperava o sucesso?
FS – Eu já tinha feito teatro infantil em São Paulo e depois na TV, quando  ela começou. Procurei me cercar do que havia de melhor na época, atores, autores, figurinistas, maquetistas, etc,

ITV – Quais as maiores dificuldades de se fazer um programa ao vivo em uma época onde a televisão estava engatinhando?
FS – Não sabíamos o que eram dificuldades, pois a única maneira de se trabalhar era ao vivo. Ninguém sonhava com vídeo-tapes, etc. Os programas eram muito ensaiados. Apesar dos ensaios, falhas eram inevitáveis. Tivemos muitas, dariam um livro.

ITV – O Teatrinho Trol ficou no ar por 10 anos, qual a fórmula desse sucesso? E como você conseguiu evitar que o programa se desgastasse?
FS – Com muita luta, elenco de primeira, pesquisando as crianças, e sempre com a proposta de formação de plateias. Quem assistiu o Teatrinho, teve sempre, ao longo desses anos, um critério na escolha de espetáculos, para seus filhos e netos.

ITV – Hoje em dia um programa infantil dificilmente fica 10 anos no ar. O Ibope é o principal culpado disso?
FS – A palavra “culpado ” é muito forte e inadequada. A grande competição, com filmes, desenhos, etc. Exige uma renovação permanente, para evitar o desgaste.

ITV – O público infantil é notoriamente o mais exigente. Foi mais difícil trabalhar com esse público do quê com os adultos? Quais as dificuldades que você encontrou?
FS – Exatamente. A  criança merece um espetáculo, melhor e muito mais bem cuidado do que o dos adultos. Hoje todos os programas, são bem produzidos, mas a maioria é feita com pessoas inadequadas e apresentadores no estilo “tati-bi-tati”. Pena que tratando as crianças como débil-mentais. Gosto muito dessa nova versão do Sitio do Picapau Amarelo. Nicete é adorável  na dona Benta, grande criação da Zilka Salaberry. Eu dirigi o Sitio por 4 anos, de 1980 a 1984. Pena que não esteja mais  no ar o Gente  Inocente e os programas da Angélica. Deviam voltar.

ITV – Você costuma assistir os atuais programas infantis da nossa televisão?
FS – Vejo pouco. Muitas vezes me irrito. Mas são novas formas. Gosto muito do Sitio, pelo elenco, direção, produção. Uma coisa terrível é quando tratam as crianças como marionetes.

ITV – Qual a melhor recordação que você guarda do Teatrinho Trol? Há alguma coisa desagradável que aconteceu naquele período?
FS – A melhor recordação são as pessoas que encontro até hoje, pais, avós, que eram fãs do Teatrinho. Recebemos 120 prêmios e citações  nas maiores revistas e jornais do Brasil e de muitos outros países e de escritores, intelectuais, artistas, inclusive da Unesco. Quanto a decepções foram tão poucas, que não deixaram mágoas. Sempre fui e sou feliz. Deus tem sido muito generoso para comigo.

ITV – Alguns dos maiores nomes da nossa teledramaturgia começaram com você no Teatrinho Trol, como Zilka Salaberry. Há reconhecimento por parte de todos os artistas que começaram com você?
FS – Alguns reconhecem, poucos não…muitos morreram. Mas não importa se aconteceram insatisfações ou ingratidões. Na verdade, todos gostavam, se divertiam, além de receber excelentes cachês, os maiores da época. Eu tinha uma verba para tudo: atores, roupas extras, maquetes, etc. Eu sempre soube reconhecer o trabalho das pessoas. Sei que fiz o possível. Quem passou pelo Teatrinho é amado até hoje. Quando falam, as pessoas se emocionam.

Alair Nazareth, Norma Blum, Iris Bruzzi e Édson Silva

ITV – Antes da telenovela se popularizar, os atores de TV eram vistos com um certo preconceito pelos profissionais de Teatro, você conseguiu unir as duas linguagens. Na época do Teatrinho Trol qual era o sentimento mais presente nos atores vindos do Teatro que estreavam na TV?
FS – Tudo estava no início na TV. Não havia preconceitos, mas algum ciúme, tolo.

ITV – A televisão mudou a criança de hoje, ou as crianças mudaram a forma de se fazer televisão?
FS – No mundo tudo muda a cada segundo. As crianças aceitam o que lhes é oferecido pela TV. Mas, não se iluda. Elas sabem o que querem, mas muitas vezes não têm opções. Além do mais existe o hábito.

ITV – Em 2000 quando a Globo homenageou o Teatrinho Trol no Especial “50 anos da TV Brasileira”, com Denise Fraga, Diogo Vilela e Lupe Gigliotti, não ficou aquela vontade de ver o programa retornar a TV?
FS – Aquela homenagem não existiu. Eu tinha programado um lindo espetáculo. Depois foram reduzindo, de dez para cinco, três, dois minutos e saiu aquilo. Não tive nenhuma participação e não concordo com o que fizeram.

Cláudio Corrêa e Castro e Frank Monteiro

ITV – Você acha que a volta de um teatro infantil para TV poderia estimular a criança a ir ao teatro ou a Tv afasta as pessoas do teatro?
FS – A TV oferece todas as possibilidades de produção de espetáculos fantásticos. A nossa técnica, elenco, autores, etc., fariam grandes maravilhas, mas penso que consideram uma coisa ultrapassada. Walt Disney está aí até hoje, Maria Clara Machado sobrevive, Lucia Benedetti e tantos outros do teatro antigo e atual.

ITV – Fábio Sabag, muito obrigado pela entrevista, eu gostaria que você deixasse uma mensagem para o site InfanTv e para os “infanautas”.
FS – Viver na espera da esperança. Viver o sonho. Amar o Brasil, sua família, seus amigos. Não deixar que impeçam suas realizações. Lutar para que os aproveitadores do povo brasileiro, sejam banidos da face da terra. Não concordar, gritar, exigir, viver com alegria.



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