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O Surgimento.
O programa Sítio do Pica-pau
Amarelo foi concebido pelo psiquiatra Júlio Gouveia, que numa festa
de aniversário, ao observar que as crianças estavam cansadas de sempre
fazerem as mesmas brincadeiras, sugeriu aos adultos que ensaiassem de
última hora uma peça teatral sobre o "Peter Pan" para apresentarem ali,
o resultado satisfatório levou Gouveia a organizar um grupo amador que
representava peças em vários teatros da Prefeitura do Rio de Janeiro,
apenas para o público infantil.
Em 1951, Júlio Gouveia escreveu uma tese
sobre o teatro infantil como veículo ideal para levar a mensagem
educacional. Com ela, participou do I Congresso Brasileiro de Teatro, no
Rio de Janeiro e seu trabalho foi um dos poucos, na época, sobre a
matéria, feito por um brasileiro. Essa tese impressionou os diretores do
único canal de televisão da época - a Tv Tupi - que convidaram para
levar suas peças para a televisão.
Ao ser convidado pelo canal, Júlio Gouveia
teve a ideia de adaptar a obra de Monteiro Lobato para a telinha. A
primeira história foi
"A Pílula Falante", um dos capítulos do
livro "Reinações de Narizinho",
que estreou no dia 10 de janeiro de 1952.
A primeira adaptação do
Sítio foi no programa Teatro Escola de São Paulo -
TESP - um teleteatro dirigido ao público infantil, criado em 1948 por
Júlio Gouveia e sua esposa Tatiana Belinky. O sucesso alcançado por esta única
apresentação levou a emissora a produzir a primeira série de televisão do
"Sítio do Picapau Amarelo".
Com o tempo, o trabalho entre a televisão e
seu consultório foi aumentando e ele confiou a sua esposa, Tatiana
Belinky, a tarefa de fazer as adaptações para a televisão das histórias
de Lobato
A Série.
O primeiro
programa Sítio do Picapau Amarelo estreou em 3
de junho de 1952 (às quintas-feiras, 19h30), com a reprise do episódio "A
Pílula Falante", ficando no ar por 11 anos. Paralelamente à exibição ao
vivo em São Paulo, a TV Tupi do Rio de Janeiro exibiu, por dois meses no
ano de 1955, uma versão da série com direção de Maurício Sherman e
produção de Lúcia Lambertini, que também interpretava a Emília ao lado de
Daniel Filho (o Visconde) e Zeni
Pereira (Tia Nastácia). O elenco em São
Paulo foi sendo mudado ao longo do programa. Emília foi interpretada por
duas atrizes (Lúcia Lambertini e Dulce Margarida ), Narizinho também
(Lidia Rosemberg e Edi Cerri ), já o Visconde
teve três atores (Rúbens Molino,
Luciano Maurício e Hernê Lebon), Pedrinho foi feito por três atores
também (Sérgio Rosemberg, Julinho Simões e David José), Dona Benta foi a
que mais teve intérpretes, ao todo quatro
(Sydnéia Rossi, Wanda A. Hammel, Suzy Arruda e Leonor Pacheco) e Tia
Anastácia também teve duas intérpretes
(Benedita Rodrigues e Zeni Pereira).
A fama atraiu os patrocinadores
transformando a série no primeiro programa a utilizar a técnica do
merchandising na TV brasileira. As histórias não tinham interrupção para o
intervalo comercial, por isso, durante os diálogos ou cenas com os atores
fixos, eram introduzidas divulgações de produtos como Vitaminas Bolos,
Biotônicos Fontoura e Kibon.
Era difícil não seduzir o público infantil
e até adulto com os maravilhosos personagens de Monteiro Lobato. Emília a
inteligente boneca de pano que falava e se tornou marquesa, Visconde de
Sabugosa o boneco de sabugo de milho que após ficar preso numa biblioteca
ficou inteligente, Dona Benta a eterna contadora de histórias, Pedrinho e
Narizinho, a Tia Nastácia e seus maravilhosos pratos e o Jabutí falante.
Sem esquecer da floresta encantada com o Saci Pererê e a Cuca Maluca que
metia medo em toda criançada.
A Produção.
Apesar de ter conquistado o público e os
patrocinadores, a produção da série era reduzida a um único cenário fixo,
a varanda do sítio, na qual ocorria a maioria das cenas. Os demais eram
montados na hora dependendo das exigências de cada história. Também não
haviam efeitos especiais e muitas mágicas, inerentes às histórias,
precisavam ser adaptadas aos recursos da época.
Cada episódio tinha a duração de 45
minutos, iniciado com o tema da música "Dobrado", composto por Salathiel
Coelho, e com as imagens de Júlio Gouveia abrindo um livro para contar uma
história. Ao final, o episódio terminava com Júlio fechando o livro.
Os produtores tinham como objetivo manter a
respeitabilidade do original trazendo situações que possibilitassem a
educação infantil sobre a história universal e problemas do cotidiano da
época, tal qual os livros de Lobato. Mas a série encerrou sua produção em
1962, com um total de 360 episódios, quando Júlio Gouveia afastou-se de
seu trabalho em televisão. No entanto os episódios do "Sítio" foram
"reprisados" durante o ano de 1963. Por terem sidos exibidos ao vivo, a
reprise consistia em reencenar cada episódio com pequenas variações de
diálogos e textos, as quais eram feitas por Lúcia Lambertini.
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Elenco
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Lúcia Lambertini .....
Emília
Dulce Margarida .....
Emília
Sérgio Rosemberg .....
Pedrinho
Julinho Simões .....
Pedrinho
David José .....
Pedrinho
Newton da Matta .....
Pedrinho
Lidia Rosemberg .....
Narizinho
Edi Cerri .....
Narizinho
Leny Vieira .....
Narizinho (Rio De Janeiro)
Rúbens Molino .....
Visconde Sabugosa
Luciano Maurício .....
Visconde Sabugosa
Hernê Lebon .....
Visconde Sabugosa
Daniel Filho .....
Visconde Sabugosa (Rio De Janeiro)
Sydnéia Rossi .....
Dona Benta
Wanda A. Hammel .....
Dona Benta
Suzy Arruda ..... Dona
Benta
Leonor Pacheco .....
Dona Benta
Benedita Rodrigues .....
Tia Nastácia
Zeni Pereira ..... Tia
Nastácia (Rio De Janeiro)
Ricardo Gouveia .....
Rabicó
Paulo Basco ..... Dr.
Caramujo
Mara Mesquita .....
Peter Pan
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