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INFANTV
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Orlando Drummond, como você começou a carreira artística?
ORLANDO DRUMMOND
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Comecei minha carreira como contra-regra em 1942 na Rádio Tupi. Foi um
início muito bom, onde conheci alguns dos maiores atores da época como
Procópio Ferreira, Bibi Ferreira, Carlos Machado, Olavo de Barros, Restier
Jr., Tina Vita, Sonia Barreto, além de Paulo Gracindo, meu Guru, que como
Diretor do Rádio Teatro, me deu a chance de me tornar um Rádio-Ator, dali
seguindo minha carreira, já como comediante, até os dias de hoje, graças a
Deus.
ITV
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Então
veio a dublagem...
OD
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Tornei-me dublador em 1960, atuando na "ZIV", atual "Delart", do Carlos
De La Riva, e no Herbert Richers, que eram as duas melhores empresas do
gênero, e nas quais trabalho até hoje.
ITV
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Você lembra do primeiro trabalho de
destaque na dublagem?
OD
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Meu primeiro destaque foi na série "Os Três Mosqueteiros", em que fazia a
voz do gordão Porthos. Depois veio o Sargento Garcia, no
Zorro.
ITV
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Como compôs o personagem Popeye, nota-se que você mudou um pouco sua voz ali?
OD
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No Popeye procurei manter o mesmo padrão de voz do original. A decisão se
mostrou a mais acertada, afinal o Popeye foi um sucesso e é um dos
personagens mais marcantes de minha carreira de dublador.
ITV
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Uma das parcerias da dublagem mais amadas no Brasil é a sua com o
Monjardim,
com Scooby e Salsicha, simplesmente por ter ficado melhor do que o original.
Fale sobre esse trabalho.
OD
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Realmente me deu muito prazer fazer a voz do Scooby-Doo, especialmente
pela oportunidade de estabelecer a parceria perfeita com o
Mário Monjardim,
meu Amigo de fé e dublador do Salsicha. Vale lembrar que a minha criação me
valeu a entrada no Guiness Book, como a dublagem de desenho animado a ficar
no ar por mais tempo, cerca de 34 anos.
ITV
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O
Alf
tem um jeitão malandro e brincalhão, com gírias bem brasileiras, você teve
essa liberdade para nacionalizar o personagem?
OD
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Foi o segundo personagem que me deu muito prazer de fazer. Tive a liberdade
para criar e lancei o "Tá limpo!!". No original o
Alf
dizia: "No problem!". Imagina só que negócio sem graça a tradução literal
"sem problema!". Mandei o "Tá limpo!!" que ficou uma coisa com muito mais
tempero.
ITV
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Dentro da imensa filmografia que você tem, algum personagem te marcou e
pouca gente o menciona?
OD
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Não. Todos os principais personagens que eu dublei estão na boca do povo.
ITV
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Como você convive com o título de "Papa da Dublagem Brasileira"?
OD
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Esse título de "Papa" é coisa de antigüidade. Sou dos mais antigos
dubladores em atividade.
ITV
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Pra você, o que é ter feito parte da infância de tanta gente?
OD
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Você não imagina a alegria de trabalhar para a criança de hoje, adulto de
amanhã. Freqüentemente sou surpreendido por um adulto de hoje, criança de
ontem, que menciona o fato de eu fazer parte de suas recordações de
infância. São encontros emocionados de parte a parte e, particularmente pra
mim, muito gratificantes. São cinqüenta anos, bicho! E hoje digo que valeu
demais!!
ITV
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Você pode ser considerado o primeiro dublador brasileiro da Disney. Nos
conte essa história.
OD
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Foi realmente um acontecimento. Participei de um filme do Disney em 1947.
Primeiro fiz a voz gravada que foi para os estúdios da Disney para colocarem
as imagens de acordo com a voz, exatamente ao contrário do que é feito hoje,
que é colocar a voz na imagem. Hoje é muito mais complicado, sem dúvida
nenhuma.
ITV
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Que companheiro de dublagem te deu mais prazer em trabalhar? Com quem
gostaria de ter trabalhado?
OD
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O prazer maior foi com o
Mário Monjardim,
extraordinário dublador e diretor, mas, acima de tudo, grande e querido
Amigo. Nestes cinqüenta anos de dublagem trabalhei com todos os talentos.
Posso citar alguns, misturando uns mais antigos com uns mais recentes:
Alberto Perez, Jorge Ramos, Alan Lima,
André Filho,
Isaac Bardavid,
Mauro Ramos, Sonia Ferreira, Marlene Costa,
Sumára Louise,
Miriam Fischer,
Nizo
Neto
e muitos outros.
ITV
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Da nova safra de profissionais da dublagem quais os nomes que mais lhe
chamam a atenção?
OD
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Da novíssima safra, pela versatilidade e profissionalismo, Felipe
Drummond, meu neto, de apenas 21 anos. Outros, mais velhos e com mais
bagagem, que eu citaria, são: Guilherme Briggs, Alexandre Moreno, Felipe
Grinan, Peterson Adriano, Ricardo Juarez e Phillipe Maia. Peço desculpas se
me esqueci de alguém.
ITV
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Se você tivesse que apontar algum momento emocionante em sua carreira de
dublador, qual seria?
OD
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Em cinqüenta anos de trabalho, tudo tem sido maravilhoso. Nada pode ser
mais emocionante do que isso!
ITV
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Como veio o convite para
Escolinha do Professor Raimundo?
OD
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A princípio, não era eu o escolhido para o papel. Mas o outro ator
escalado nunca havia interpretado um homossexual, razão pela qual desistiu
do papel. Tomando conhecimento, o Chico Anísio mandou me chamar e, assim,
Seu Peru já nasceu dizendo: "Foi a Glória!!... Dei o maiorrrrrrapoio!!"
ITV
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É verdade que o sucesso de Seu Peru acabou quase mudando seu nome?
OD
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De certa forma, sim. Seu Peru é daqueles personagens que ganham vida e
alçam vôo próprio. No imaginário popular, alguns personagens se tornam
indissociáveis de seus intérpretes. O Seu Peru é um destes casos. É comum as
pessoas se dirigirem a mim, me tratando de Seu Peru.
ITV
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Ser o Seu Peru e dublador te salvou em um assalto?
OD
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Sim, há alguns anos. Moro em Vila Isabel e, certa vez, voltando de
gravação no PROJAC, fui obrigado a parar por uma rapaziada barra-pesada. Os
caras já iam começar a me "depenar" quando um deles, que parecia ser o
líder, disse: "Ih!!! Eu manjo esse cara!! É o Seu Peru, da Escolinha. É a
voz do Popeye e do Scooby-Doo!!". Aí o malandro aliviou e até me convidou
pra tomar uma cervejinha.
ITV
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Em 2003 você ganhou uma merecida homenagem quando foi criada a Oficina de
Teatro Orlando Drummond.
OD
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Gosto muito de São Lourenço, estância hidromineral no sul de Minas
Gerais. É um lugar de que gosto muito e onde mantenho um apartamento que é
meu refúgio de férias e feriados. Modéstia a parte, sou muito querido por
lá, já tendo recebido até o Título de Cidadão Honorário de São Lourenço.
Então é um lugar onde fiz muitos amigos. Dois destes amigos, o casal Helena
e Nei, Cabos da Polícia Militar, na época servindo em Carmo de Minas, cidade
vizinha, mantinham um belíssimo trabalho social junto a crianças carentes.
Dentre outras atividades, os jovens freqüentavam uma escola de Teatro, que
acabou recebendo meu nome, numa homenagem que muito me emocionou.
ITV
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Orlando Drummond, muito obrigado pelo papo! Deixe uma mensagem para os Infanautas
que estão lendo essa entrevista.
OD
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Tive imenso prazer em bater este papo com vocês, estou sempre as ordens.
Parabenizo o trabalho do InfanTv. Trata-se de iniciativa que valoriza o
trabalho de gente dedicada e competente como os dubladores. Para mim, o bom
dublador é um super ator, pois tem de ter imenso poder de interpretação, uma
vez que precisa expressar na voz a emoção que outro ator construiu, além de
ter de concatenar os seus movimentos labiais com os do personagem que está
sendo dublado. É trabalho que exige extraordinária qualificação.
Muitos não sabem, mas o Brasil tem uma das melhores dublagens do mundo.
Mesmo assim, às vezes somos alvo de críticas de gente que não conhece nosso
trabalho. Alguns elitistas torcem o nariz para a dublagem. Querem o quê?
Filmes em inglês com legendas? Nem todos os brasileiros dominam o inglês.
Muitos sequer são capazes de acompanhar legendas. A dublagem democratiza o
cinema e a TV, aberta ou por assinatura. Por estas e por outras me orgulho
de ser dublador.
Entrevista realizada por Izaías Correia |