Emissora: TV Tupi.
Transmissão Original: de 3 de junho de 1952 a 6 de março de 1963.
Duração: 25-30 minutos.
Temporadas: 12 (360 episódios).
Preto e branco.
Companhias Produtoras: TV Tupi.

A Série.


O programa Sítio do Pica-pau Amarelo foi concebido pelo psiquiatra Júlio Gouveia, que numa festa de aniversário, ao observar que as crianças estavam cansadas de sempre fazerem as mesmas brincadeiras, sugeriu aos adultos que ensaiassem de última hora uma peça teatral sobre o “Peter Pan” para apresentarem ali, o resultado satisfatório levou Gouveia a organizar um grupo amador que representava peças em vários teatros da Prefeitura do Rio de Janeiro, apenas para o público infantil.

Em 1951, Júlio Gouveia escreveu uma tese sobre o teatro infantil como veículo ideal para levar a mensagem educacional. Com ela, participou do I Congresso Brasileiro de Teatro, no Rio de Janeiro e seu trabalho foi um dos poucos, na época, sobre a matéria, feito por um brasileiro. Essa tese impressionou os diretores do único canal de televisão da época – a TV Tupi – que convidaram para levar suas peças para a televisão.

Ao ser convidado pelo canal, Júlio Gouveia teve a ideia de adaptar a obra de Monteiro Lobato para a telinha. A primeira história foi “A Pílula Falante”, um dos capítulos do livro “Reinações de Narizinho”, que estreou no dia 10 de janeiro de 1952. A primeira adaptação do Sítio foi no  programa Teatro Escola de São Paulo – TESP – um teleteatro dirigido ao público infantil, criado em 1948 por Júlio Gouveia e sua esposa Tatiana Belinky. O sucesso alcançado por esta única apresentação levou a emissora a produzir a primeira série de televisão do Sítio do Pica-pau Amarelo.

Com o tempo, o trabalho entre a televisão e seu consultório foi aumentando e ele confiou a sua esposa, Tatiana Belinky, a tarefa de fazer as adaptações para a televisão das histórias de Lobato.

O primeiro programa Sítio do Pica-pau Amarelo estreou em 3 de junho de 1952 (às quintas-feiras, 19h30), com a reprise do episódio “A Pílula Falante”, ficando no ar por 11 anos. Paralelamente à exibição ao vivo em São Paulo, a TV Tupi do Rio de Janeiro exibiu, por dois meses no ano de 1955, uma versão da série com direção de Maurício Sherman e produção de Lúcia Lambertini, que também interpretava a Emília ao lado de Daniel Filho (o Visconde) e Zeni Pereira (Tia Nastácia). O elenco em São Paulo foi sendo mudado ao longo do programa. Emília foi interpretada por duas atrizes (Lúcia Lambertini e Dulce Margarida ), Narizinho também (Lidia Rosemberg e Edi Cerri ), já o Visconde teve três atores (Rúbens Molino, Luciano Maurício e Hernê Lebon), Pedrinho foi feito por três atores também (Sérgio Rosemberg, Julinho Simões e David José), Dona Benta foi a que mais teve intérpretes, ao todo quatro (Sydnéia Rossi, Wanda A. Hammel, Suzy Arruda e Leonor Pacheco) e Tia Anastácia também  teve duas intérpretes (Benedita Rodrigues e Zeni Pereira).

A fama atraiu os patrocinadores transformando a série no primeiro programa a utilizar a técnica do merchandising na TV brasileira. As histórias não tinham interrupção para o intervalo comercial, por isso, durante os diálogos ou cenas com os atores fixos, eram introduzidas divulgações de produtos como Vitaminas Bolos, Biotônicos Fontoura e Kibon.

Era difícil não seduzir o público infantil e até adulto com os maravilhosos personagens de Monteiro Lobato. Emília a inteligente boneca de pano que falava e se tornou marquesa, Visconde de Sabugosa o boneco de sabugo de milho que após ficar preso numa biblioteca ficou inteligente, Dona Benta a eterna contadora de histórias, Pedrinho e Narizinho, a Tia Nastácia e seus maravilhosos pratos e o Jabutí falante. Sem esquecer da floresta encantada com o Saci Pererê e a Cuca Maluca que metia medo em toda criançada.

Apesar de ter conquistado o público e os patrocinadores, a produção da série era reduzida a um único cenário fixo, a varanda do sítio, na qual ocorria a maioria das cenas. Os demais eram montados na hora dependendo das exigências de cada história. Também não haviam efeitos especiais e muitas mágicas, inerentes às histórias, precisavam ser adaptadas aos recursos da época.

Cada episódio tinha a duração de 45 minutos, iniciado com o tema da música “Dobrado”, composto por Salathiel Coelho, e com as imagens de Júlio Gouveia abrindo um livro para contar uma história. Ao final, o episódio terminava com Júlio fechando o livro.

Os produtores tinham como objetivo manter a respeitabilidade do original trazendo situações que possibilitassem a educação infantil sobre a história universal e problemas do cotidiano da época, tal qual os livros de Lobato. Mas a série encerrou sua produção em 1962, com um total de 360 episódios, quando Júlio Gouveia afastou-se de seu trabalho em televisão. No entanto os episódios do “Sítio” foram “reprisados” durante o ano de 1963. Por terem sidos exibidos ao vivo, a reprise consistia em reencenar cada episódio com pequenas variações de diálogos e textos, as quais eram feitas por Lúcia Lambertini.



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