Emissora: TV Tupi, TV Excelsior, TV Cultura, TV Globo e TV Record.
Transmissão Original: de 20 de dezembro de 1961 a 29 de agosto de 1963.
Duração: 22 minutos.
Temporadas: 1 (36 episódios).
Preto e branco.
Companhias Produtoras: TV Tupi.

A Série.


A TV Tupi lançou em 1961 uma criação de Ary Fernandes, O Vigilante Rodoviário, a primeira série brasileira filmada em película de cinema, para concorrer com os enlatados americanos. A série teve apenas 36 episódios, mas o sucesso foi tão grande durante sua exibição que até hoje existem fãs do herói espalhados pelo Brasil.

Ary Fernandes era fã de revistas em quadrinhos e seriados americanos e tinha o desejo de realizar uma série com um personagem brasileiro. A fonte de inspiração de Fernandes foi o trabalho realizado pela Polícia Rodoviária do Estado de São Paulo, criada em 1948 pelo governador Adhemar de Barros para dar emprego aos pracinhas que lutaram na Segunda Guerra Mundial.

Inicialmente o título da série seria O Patrulheiro Rodoviário, mas após o contrato de patrocínio pela Nestlé, a Toddy comprou um seriado de western norte-americano e o batizou de Patrulheiros do Oeste, o que resultou na mudança do título para O Vigilante Rodoviário.

A série era exibida na quarta-feira em São Paulo e na quinta-feira no Rio de Janeiro às 20 horas, após o telejornal Repórter Esso. Devido às dificuldades tecnológicas da época, era necessário levar a cópia do filme para cada emissora para que fosse transmitido.

O sucesso da série foi estrondoso. Logo, o Brasil foi tomado pela marca do Vigilante Rodoviário e a Nestlé aproveitou para lançar bonequinhos e miniaturas do Simca Chambord, além de histórias em quadrinhos do herói.

Após sair do ar em 1962, O Vigilante Rodoviário foi reprisado pela Tupi em 1967 e pela Rede Globo em 1972, e anos depois pela TV Excelsior, Cultura e Record.

Assim que teve a ideia para a série, Ary Fernandes pediu ajuda ao amigo Alfredo Palácios, dono de um estúdio de gravação. Palácios gostou do projeto e logo cedeu seu estúdio e contribuiu com com quatro latas de mil pés de negativo 35mm. Ambos separam umas economias e compraram uma câmera Arriflex 35mm da extinta Companhia Maristela. Com o apoio da Força Pública da Polícia Rodoviária eles começaram a produção.

Muitas foram as dificuldades enfrentadas na produção da série, a equipe não tinha dinheiro para comprar os negativos de uma só vez, pois recebiam após a exibição de cada episódio e, assim, iam comprando na Kodak aos poucos. As filmagens eram feitas em filmes de celulose de 35 mm, copiadas, montadas, dubladas e reproduzidas em 16 mm para serem transmitidas pela televisão.

As coisas pioraram, três dias após a assinatura do contrato com a Nestlé, que patrocinava a série, pois Jânio Quadros assumiu a Presidência da República e taxou todos os produtos importados em 400%. Com isso a verba da Nestlé já não era suficiente, uma vez que a maioria dos materiais eram importados, inclusive o filme, já existia inflação e o valor do contrato era fixo. Mesmo assim o projeto seguiu.

Com as dificuldades financeiras, a equipe vivia de permutas, como no caso do veículo usado na série. Ary Fernandes escolheu o Simca Chambord para ser o veículo do herói, após o episódio “Ladrões de Automóveis”, onde o carro foi alugado pela produção e todos acabaram gostando dele. Solicitaram algumas unidades à fábrica que não pensou duas vezes em aproveitar o marketing pois as vendas do automóvel estavam em baixa naquele momento.

O seriado terminou por falta de dinheiro quando mudou a diretoria da Nestlé, que não quis arcar com os custos para dar continuidade à série, que custava dez vezes mais que as produções estrangeiras.

A História.


A bordo de seu Simca Chambord ou com sua motocicleta Harley Davidson, o Vigilante Rodoviário Carlos enfrentava todos os tipos de criminosos.

Em seu trabalho, o Vigilante era acompanhado pelo pastor alemão Lobo, um cachorro muito argucioso no combate ao crime. A grande missão da dupla era manter a lei nas rodovias de São Paulo. Uma dupla que transmitia muita simpatia, inspirando proteção e segurança e veiculando mensagens educativas.

Algumas crianças amigas do Vigilante sempre apareciam no seriado, para obviamente aproximar mais o programa do público infantil. eram elas: Tuca, Fominha, Gasolina e Arlindinho.

Bastidores.


Mais de 200 atores se candidataram ao papel do herói no piloto da série, mas nenhum agradou ao produtor e diretor Ary Fernandes, que em um momento de quase desespero resolveu testar um de seus assistentes de produção, Carlos Miranda. O resultado foi muito melhor que o esperado. O ator fez tanto sucesso, foi tão convincente e ficou tão marcado pelo papel que quando abandonou a carreira artística tornou-se um vigilante rodoviário na vida real até se aposentar como Tenente Coronel.

O pastor alemão mestiço Lobo, usado no seriado, nasceu em abril de 1955 dentro do Parque Estoril em São Bernardo do Campo – S. P., ele foi entregue ao seu dono Luiz Afonso pelo o seu irmão que por sua vez recebeu de um casal de alemães onde trabalhava como pintor. O cão foi adestrado pelo próprio Afonso que inicialmente lhe deu o nome de King. Lobo já era conhecido no quartel da Força Pública quando, aos 5 anos de idade, o descobriram para participar do seriado Vigilante Rodoviário. Em 1971, quando fugia para casa de Ary Fernandes, Lobo foi encontrado morto perto do antigo lixão da Vila Guilherme após ter sido atropelado.

Outros atores consagrados apareciam constantemente na série, algo que só foi possível graças ao patrocínio na Nestlé. Passaram pela série nomes como: Stênio Garcia, Ary Toledo, Ary Fontoura, Mário Alimari, Juca Chaves, Fúlvio Stefanini, Lola Brah, Lucy Meirelles, Rosamaria Murtinho, Elísio de Albuquerque, Milton Ribeiro, Amândio Silva Filho, Luiz Guilherme, Tony Campello, Sérgio Hingst, Geraldo Del Rey e Etty Fraser.

 

O Retorno.


Em 1978, o ministro da Educação, Ney Braga e a Embrafilme decidiram trazer o herói brasileiro de volta às telas brasileiras, através de um projeto que visava produzir 26 filmes dirigidos por 26 diretores diferentes. Na lista estava O Vigilante Rodoviário.

O jurado e galã do programa Sílvio Santos, Antonio Fonzar, foi convidado para interpretar o personagem, já Carlos Miranda não se encaixaria mais no papel do Vigilante. Três cães do canil da polícia, cada um com uma habilidade diferente, foram usados no lugar do Lobo que já estava morto. E usaram um Dodge no lugar do original Simca Chambord.

O filme nunca foi exibido, pois mesmo tendo sido concluído o projeto não vingou.



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